eu sou pleno.
tenho toda a paz do mundo em mim.
sou inerte a tudo à minha volta
e sei-o.
sou constante, o horizonte não é mais que uma linha
e essa linha não é mais que eu, que me prolongo até ao infinito,
sem mudar a paisagem.
a estabilidade do meu olhar
ignora a possibilidade de encontrar outros.
desenhando rotações de 360 graus,
posso supor que as rotinas dos outros
são apenas movimentos camuflados.
e eu movo-me com eles.
enrolado nas ondas da minha vida.
a minha vida tão insignificante que é maior que eu mesmo.
e eu, por devaneio,
por nostalgia,
pela simples piada de voltar a ser criança
corro em círculos,
a tentar apanhar as minhas saudades
que mandei para trás de mim como uma carta de um amor que já não o é.
agarrá-las.
desmembrá-las.
cortá-las.
rasgá-las.
perder a conta das horas
em que os olhos sonham acordados,
no sopro dos meus carrosséis.
que tocam a música da minha infância,
quando ainda achava piada ao circo e aos palhaços,
que me faziam ver o mundo com mais alegria.
agora, sou eu o palhaço e a minha terra é o circo
e os contos de onde eu venho tornam os outros mais alegres
enquanto me oculto por detrás das minhas pinturas.
que rostos são esses que nos esconderam a verdade?
que vozes são essas?
na escola não me ensinaram que o amanhã é um dia triste.
um dia frio, chuvoso, incalculável.
se o soubesse ter-me-ia agasalhado,
ter-me-ia guardado aos beijos desta gente.
ter-me-ia feito mágico.
ter-me-ia feito indecente,
quem sabe se assim era mais igual a toda a gente.
mas não sei, porque sou o único feliz aos meus olhos,
enquanto que vocês perseguem a própria felicidade em rostos que vêm passar na rua.
não sei como vivem em casas assim,
vazias, despidas de algo a que chamei amor.
as ruas são quem passa nelas
e, se deixei de pisar tais calçadas,
foi por náusea, por inconformidade.
às vezes também vivo sem roupa
e ponho os pés descalços no chão,
só para me chamarem louco.
mas se há algo que eu sou que eles não são
é tudo.
eu já tinha lido, o zé gui já me tinha mostrado.
ResponderEliminarvocês os dois fazem magia juntos! é uma coisa incrível... indescritível, mesmo...
o mar é já meu amigo já desde que nasci :)
há uns 17 que vou de férias para lá.
sinto-me, realmente, como se tivesse lá crescido!
Fico feliz por sabê-lo :)
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