grito no silêncio.
a humidade que ficou
consumiu o meu hálito abafado.
disparo palavras.
os seus ecos vêm na minha direcção,
matando-me lentamente.
tudo o que nos divide é ar,
gasto das horas mudas.
das horas inúteis,
desmembradas e cultivadas em más terras.
há um engano lá fora.
o exterior que não fala,
que rouba o sono e que me mente.
a luz que não chega, a luz que não se propaga.
eu.
eu e um dentro que sente
e que tudo sabe.
eu e as mil palavras que são uma.
eu e tudo o que quero dizer.
não a ti, não a mim,
mas a quem nos criou, cruelmente.
choro o que não foi debitado,
porque o meio é nada
e o nada é gente.
um animal morto à beira da estrada.
eu à beira de mim mesma.
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