06 novembro, 2011

grito no silêncio

grito no silêncio.
a humidade que ficou
consumiu o meu hálito abafado.

disparo palavras.
os seus ecos vêm na minha direcção,
matando-me lentamente.

tudo o que nos divide é ar,
gasto das horas mudas.
das horas inúteis,
desmembradas e cultivadas em más terras.

há um engano lá fora.

o exterior que não fala,
que rouba o sono e que me mente.
a luz que não chega, a luz que não se propaga.

eu.
eu e um dentro que sente
e que tudo sabe.
eu e as mil palavras que são uma.
eu e tudo o que quero dizer.
não a ti, não a mim,
mas a quem nos criou, cruelmente.

choro o que não foi debitado,
porque o meio é nada
e o nada é gente.

um animal morto à beira da estrada.
eu à beira de mim mesma.

Sem comentários:

Enviar um comentário