28 junho, 2013

do ser I

o que todos trazemos à mesa
o que todos alimentamos às colheradas
não é mais que um vazio,
vazio que ocupa o espaço 
de sermos nós e não outros.

chamar-lhe-ei de medo.

ao coleccionarmos medos,
vamos deixando quem somos,
vamos aumentando o deserto entre nós e os outros,
vamos e não vamos,
entre hesitações e pequenas falhas.

mas como?
como podemos ser nós próprios
os primeiros a desistir de nós?

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