20 fevereiro, 2014

a rua que nos separa

acordar é mais do que abrir as janelas,
assim como adormecer é mais do que fechar os olhos.
tudo é mais qualquer coisa,
enquanto existir um significado a prendê-lo.

o que me prende está para lá da vidraça.
para existirmos, basta atravessar a rua,
o trânsito, os semáforos, as rotinas.
tudo é oblíquo ao meu olhar.

aqui, deste lado,
contemplarei sempre a tua presença,
do outro lado da rua,
ao ver desaparecer o brilho da tua janela.


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